miércoles, 24 de noviembre de 2010
miércoles, 3 de noviembre de 2010
Leite Derramado
Cantor, compositor, autor de novelas, peças de teatro. Provavelmente seja fácil adivinhar de quem se trata, visto que são poucos os que se atrevem a tanto e finalmente, podem tanto.
Falo de Chico Buarque quem, filho de pai brilhante, conseguiu chegar à sua altura sem seguir o mesmo caminho- mas traçando seu próprio. E agora, com o lançamento de seu último livro Leite Derramado, Chico versa sobre os assuntos que um dia foram tratados por seu pai.
Sergio, o historiador, muito falou sobre a história e os costumes dessa sociedade que nada mais é do que a mistura de muitas, porém tão única. Chico, que tantas vezes cantou os nossos constumes, agora com Leite Derramado busca recapitular a formação do que hoje somos, sob o ponto de vista de um moribundo centenário que neto de nobres, agora padece em uma cama de hospital público, relembrando sua história.
Com Eulálio, Chico Buarque busca rememorar a verdadeira história do Brasil, aquela construida por brasileiros, descendentes de índios, negros, e imigrantes de todas partes do mundo.
Cativante e precisa, a narrativa nos guia apesar de despistar com as confusões na memória do velho contador de histórias.
Brilhante a maneira como Chico costura uma história onde certamente qualquer brasileiro pode se reconhecer, nem que em apenas uma passagem seja.
E aqui, uma vez mais, temos o artista fazendo história. Porque não só hoje falaremos dele, o faremos pelo resto da História.
Falo de Chico Buarque quem, filho de pai brilhante, conseguiu chegar à sua altura sem seguir o mesmo caminho- mas traçando seu próprio. E agora, com o lançamento de seu último livro Leite Derramado, Chico versa sobre os assuntos que um dia foram tratados por seu pai.
Sergio, o historiador, muito falou sobre a história e os costumes dessa sociedade que nada mais é do que a mistura de muitas, porém tão única. Chico, que tantas vezes cantou os nossos constumes, agora com Leite Derramado busca recapitular a formação do que hoje somos, sob o ponto de vista de um moribundo centenário que neto de nobres, agora padece em uma cama de hospital público, relembrando sua história.
Com Eulálio, Chico Buarque busca rememorar a verdadeira história do Brasil, aquela construida por brasileiros, descendentes de índios, negros, e imigrantes de todas partes do mundo.
Cativante e precisa, a narrativa nos guia apesar de despistar com as confusões na memória do velho contador de histórias.
Brilhante a maneira como Chico costura uma história onde certamente qualquer brasileiro pode se reconhecer, nem que em apenas uma passagem seja.
E aqui, uma vez mais, temos o artista fazendo história. Porque não só hoje falaremos dele, o faremos pelo resto da História.
martes, 13 de julio de 2010
martes, 29 de junio de 2010
Quem somos?

Pequenos seres fabricando sonhos, sonhando mentiras, mentindo o amor, amando muito e quase nada.
Quem é você, que fala de arte quando vende, que fala de vender quando faz arte, que canta territórios, que eleva pedestais, que derruba histórias, encantador de gatos.
Mas quem, quem sou eu, que vendo minha alma, que estagno para avançar loucamente expandindo sabe-se lá até que direção.
Eu que nadei sob a lua, e chorei mil águas, que já nem sei....
Quem é aquele, coerente, bravo e altivo. Se mantém, será, em seu caminho?
Mas que caminho, se onde o homem passou nem está mais, somente o outro, longe de si.
domingo, 27 de junio de 2010
O circo acaba hoje

Semana passada fui ao circo.
Tem gente que nem sabe o que é isso. Eu mesma não ia há muit tempo, desde a época em que meu irmãozinho era pequeno, e ele já tem 15.
Tinha perdido o interesse por não ser uma fã por assim dizer das brincadeiras com animais.
Mas em um domingo de jogo do Brasil, com uma ínfima audiência, sentei naqueles bancos mágicos que fazem a gente voltar a ser criança e não só isso: nos levam de volta ao passado.
Àquele tempo -que já não é o meu (que nasci em tempos de tecnologia já avançada)- as produções artísticas eram saltimbancas, errantes e sobretudo, autóctonas. Feita por e para o povo, sem elite, juiz ou propaganda.
Enfim, o circo me remete à isso. Àquilo que não conheci exatamente, mas que idealizo, e fantasio, em imaginar como seria um mundo eutêntico, onde a realidade somente se confunde com a magia e o fantástico e não com o "make believe" de hoje, onde nada é realmente o que parece, e onde o novo nunca é exatamente novo, é sempre uma recriação, é sempre um 'revival'.
Mas claro, o circo. O que fui em questão é o Circo Roda, armado com tenda e tudo mais no Memorial da América Latina em São Paulo. E é sim, daqueles genuínos: trapezistas, palhaços e contorcionistas. É para crianças, das pequenas e das grandes. Tem magia e ilusão. Tem falhas, mas é disso que se trata, ao vivo e se entregando, as pessoas erram. Elas são pessoas e se mostram como tal - são como eu e como você. Não são deuses absolutos que não perdem uma, não são belezas extraordinárias retocadas pela demanda da indústria que quer vender a perfeição.O espetáculo que o Circo Roda agora apresenta é "Oceano". Assim, vemos peixes nadando, cavalos-marinho e polvos, tudo de tecido, de material reaproveitado, feito por eles, pela trupe.
Da união dos grupos teatrais Parlapatões e Pia Fraus, como eles dizem no seu website, a equepe formada usa esse espaço para dar vazão às características originais do conceito e como dizem ao fim do espetáculo: "Não deixar o Circo morrer".
Quem sabe o Circo não para perto de você?
lunes, 7 de junio de 2010
A fotografia em estado puro
A arte da fotografia entusiasma muitos e não é de hoje. Leonardo da Vinci flertou com a câmera escura já no século XVI e desde então a incisão da luz tem papel protagonista nos registros que o homem faz do mundo que o rodeia.Mas hoje essa prática está cada vez mais esquecida. Com o advento da tecnologia digital os princípios da fotografia estão sendo deixados de lado e os pixels tomando conta do espaço antes reservado aos negativos.
Desenhar com luz
A palavra fotografia, vinda do grego, significa desenhar com luz. Isso porque é feita a reprodução da imagem em uma superfície sensível (no caso o filme fotográfico) através da exposição de luz.
Desde o Renascimento italiano na época de da Vinci até cerca de dez anos atrás o processo da fotografia foi se desenvolvendo em termos tecnológicos e artísticos: os profissionais foram experimentando ao passo do tempo e criando novas maneiras de expressar essa arte de infinitas facetas. Porém hoje, os caminhos seguidos nada se parecem a essa prática secular.
Um trabalho de resistência
A maioria dos fotógrafos profissionais de hoje em dia trabalha com a câmera digital, mas ainda há os que resistem firmemente ao passo do tempo, fotografando com suas máquinas analógicas, revelando os filmes e ampliando as fotos, uma a uma. Porém, para estes que querem seguir trabalhando com a fotografia analógica, encontrar quem faça o trabalho de revelação está cada vez mais complicado.
João Salgado é laboratorista. Os que não estão familiarizados com o registro fotográfico diriam talvez que ele trabalha em um laboratório médico, mas seu trabalho apesar de meticuloso não tem nada a ver com saúde – ele revela filmes fotográficos em preto e branco.Filho de laboratorista (seu pai começou trabalhando para a revista “O Cruzeiro” e segue ativo até hoje) foi dentro de casa que João aprendeu a arte de revelar filmes. Quando jovem observava seu pai naquela escuridão agindo feito alquimista: “Ele é do tempo em que se precisava pesar a quantidade de fórmula para diluir a química e fazer o revelador”.
A magia do quarto escuro
Os filmes monocromáticos (popularmente conhecidos como PB) podem ser revelados manualmente, basta ter um quarto absolutamente escuro (não se pode deixar passar nenhum feixe de luz) e uma seleção de produtos químicos que vão realizar a “magia” de fazer a imagem aparecer no papel.
O laboratorista, depois de passar o filme fotográfico por uma química já pode visualizá-lo e começar a produção das fotos. Para isso, é preciso ter um ampliador onde se coloca o negativo em uma espécie de lâmina e, com a
projeção de luz sobre o quadro da imagem ela irá relevar-se no papel fotográfico.Logo, ele passa para o processo de revelação fotográfica, que consiste em cinco etapas usando três diferentes compostos químicos: o revelador, o interruptor e o fixador. Em seguida o papel passa pela lavagem e por último pela secagem.
Para aqueles que jamais experimentaram revelar um filme, pode parecer um processo complicado, mas está longe de ser assim. Revelar uma imagem em PB manualmente requer arte, coisa que João Salgado tem de sobra.
Para que o resultado final seja o desejado, cada foto é trabalhada separadamente, levando em conta a exposição e o contraste próprios de cada uma. “É como um photoshop manual, nós já trabalhamos a imagem desde sempre. O programa só reproduz as técnicas de laboratório”, conta João.
Uma vida em meio a imagens
Com 25 anos de carreira, João trabalha desde 2001 na Galeria ímã, na Vila Madalena, atendendo àqueles que ainda buscam a via artesanal para seu trabalho.
João conta que a partir do ano 1985 com a eleição de Tancredo e a abertura da imprensa os fotógrafos trabalhavam sem parar, e as agências de foto de proliferavam sem controle. Foi nessa época que começou a trabalhar na Agência Angular, montada por uma série de profissionais. Quando ela se desintegrou nos anos 90 e cada um foi para o seu lado, João foi convidado pelo fotógrafo Egberto Nogueira para trabalhar em sua galeria, a Ímã.
Hoje, João admite estar preocupado com seu negócio: “Acredito que a fotografia analógica dura mais uns dez anos. Mas enquanto o material ainda for fabricado e as pessoas tiverem interesse, estarei aqui”.
Galeria Ímã
Com exposições e cursos relacionados à fotografia, a galeria Ímã é uma das pioneiras da região neste ramo. Os cerca de 80 artistas em seu catálogo abrem um leque de variedades que enchem os olhos dos amantes da fotografia. Para os profissionais, o espaço ainda oferece o trabalho de impressão, moldura e portfólio. São tantos os serviços que estão todos sempre por lá: “Os fotógrafos acabam fazendo terapia aqui”, comenta a co-proprietária Carla comenta entre risos.
A poesia impressa pelo desenho da luz revelado em papel que tanto fascinou no passado está ativa, fortemente, em pequenos ateliês do mundo. Basta encontrá-los.
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