martes, 9 de febrero de 2010

There Is A Light That Never Goes Out


Faz tempo que não passo por aqui.
Tantas e tantas coisas acontecem que a gente se esquece de si.
Mas há momentos na vida, que você para. E pensa. Ou só sente. Mais nada.
Outro dia aconteceu isso, e senti vontade de escrever.
Estou de volta à (Soda Stereo não se referia à ela, mas acho que o termo lhe convém) la Ciudad De La Fúria.
E põe fúria nisso.
Mas há tanta beleza também.
Por mais que esse seja o meu país, e essa a cidade onde -praticamente- virei gente, ainda tenho o mesmo sentimento de turista, ou mais que nada, de olhar do estranho. O que é bom, talvez ótimo.
As vezes as carências dessa metrópole me tiram do sério, me enervam, espetam meu cabelo e meus pêlos.
Mas são tantas coisas belas. é tanta coisa.
O visual vai ficar pra depois, porque como dizia antes, outro dia me irrompeu o sentimento de soltar o verbo. E o que produziu isso foi uma canção.
É que aí está uma das qualidades dessa cidade: pode-se encontrar mais que uma boa radio. Pode-se ouvir música boa, muito boa, assim de surpresa. Pode-se estar dentro do carro, num calor intenso, escaldante, e de repente ouvir The Smiths.
E pode-se sorrir, como eu fiz.
E é exatamente isso que adoro sobre a a Vida. Que de repente, num rompante, você sai de onde está pra divagar sabe-se lá por onde, com um sorriso. É engraçado, porque esse momento dura minutos, senão segundos, e quando passa e me dou conta do que aconteceu, dou uma risadinha, e continuo. Pronto, isso já alegrou o meu dia!

A música, There Is A Light That Never Goes Out.

O mais curioso, é que não se trata de uma letra alegre, muito pelo contrário, é melancólica e romântica, como quase qualquer música da banda. "To die by your side, is such a heavenly way to die" não é necessariamente algo que se deveria contemplar quando se está dentro de um carro, num momento de certo desconforto, eu sei; e não sugere felicidade, também sei. O fato é que quando os acordes solitários de guitarra no início da canção me tomam desprevenida, me esqueço de tudo e quando vejo, não faço nada mais que cantar.

Nick Hornby escreveu um livro que se chama 31 Songs - no Brasil, 31 Canções (Rocco, 2005)- no qual comenta músicas que de alguma maneira e por distintas razões tiveram algum impacto, mesmo que singelo, em sua vida.

Adorei e entendi a proposta. Se eu fosse escrever um livro assim, There Is A Light That Never Goes Out (do album The Queen is Dead- 1986) definitivamente entraria na minha seleção.

Deleite-se

Foto: vista noturna de SP, em referencia e homenagem ao título da música.

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