viernes, 31 de julio de 2009

ARTE.

ARTE.

Já não me impressiona de maneira quase infantil (como antes) colocar-me diante de uma obra de arte transcendental a qual estudei uma e outra vez seja no colégio ou mesmo na Universidade, no âmbito da História da Arte.

Na impossível definição global do conceito de arte, ela pra mim significa sentimento. Puro. Galopante. E sendo assim, meus encontros com grandes obras sempre passam pelo filtro da paixão, no caso minha por esse objeto, que em certo ponto é até “animado”.

Essa paixão, sem dúvidas, começou em Paris. E como não haveria de ser.

Antes de tudo, Louvre. Meus olhos cintilaram com a Aphrodite; com a “Liberté” de Delacroix; com Michelangelo. Mas mais que nada com tanta história.

Meu preferido, o Musée d'Orsay. Foi lá meu primeiro encontro em vida com Degas, e suas bailarinas; Manet e sua Olympia ou Berthe Morisot; Monet e (!!!) as Ninfas azuis- claro; Renoir e o maravilhoso “Bal au moulin de la Galette”; e.... Van Gogh. Como pode óleo sobre lenço resultar em uma “La nuit étoilée”? Ou naqueles retratos? Ou naquelas “Fritillaires”?

Realmente, todo um sentimento. Logo foi na España onde tive a oportunidade de ver algo como Guernica- nada menos que impagável; como as meninas, o Baco, a Vênus, de Velázquez; como “la Maja” e o fuzilamento “del tres de mayo de 1808” de um Senhor Pintor como Goya.

O MOMA simplesmente incendeia um coração. Obras “do meu tempo” vão, uma atrás da outra, construindo com precisão a arte de hoje.

E assim por diante, fui vendo esses panos dançarem à minha frente qual divindades.

Voltando ao sentimento, agora foi a vez de experimentar talvez a maior expressão da agonia e das dores da alma, e nem por isso obra menos bonita, menos cheia de paixão. Porque quando vista, quase trata de puxar la dentro de nós, também, um grito.



Edvard Munch foi o pintor norueguês que talvez junto com o poeta Henrik Ibsen, tenha praticamente fincado a bandeira de seu país na posteridade artística. E de que maneira.

É provável que não exista obra que transmita tanto, por mais que seja um sentimento de inconfortabilidade. O que torna unânime a opinião sobre o poder comunicador do “Grito” de Munch.

Mas, nesse caso, é preciso Ver pra Sentir.



E como disse Proust em À la recherche du temps perdu, "graças à arte, em vez de ver um mundo apenas, o nosso, vemos que o mundo se multiplica"

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